9 de nov de 2007

SANGUE E SAL

I


O som do mar é tudo que se ouve na madrugada. Edifícios escuros de um lado, lua cheia do outro. Um homem e uma mulher sentados a sós na areia, num canto atrás de uma canoa de pesca, quase imperceptíveis. Beijos, mãos que se acariciam com força, gemidos e sussurros.

Com os olhos penetrando entre os cabelos longos, ele olha para o mar. Ela o beija perto da orelha.

Ele aproxima a boca do ouvido dela, e acaricia seus ouvidos com um convidativo “vem”.

Eles se levantam e entram no mar.
Retomam os beijos. As carícias ganham força. O balanço do mar embala a libido.
Gemidos, gritos de prazer, tudo muito rápido.

Num ritmo acelerado, um grito para a lua indica a chegada do clímax.

Olho no olho. Beijos carinhosos. Carícias.

Amanhece.

Pessoas correm na beira-mar para manter a forma. Outros, mais velhos, caminham.

Alguns destes pedestres notam algo estranho naquela praia. Logo, forma-se um círculo de curiosos.

Os que chegam por último se espremem e, entre braços de outros curiosos, vêem um corpo inerte, despido, sangrando, de mulher.